Para e se
escrever um conto ou ao se ler alguns contos, as vezes nos deparamos
com a seguinte sensação, começamos as conjecturas e de repente,
numa certa parte do texto (em geral no final), com um movimento que
compromete toda o nosso entendimento. Quando isso acontece, devemos
reler e testar novas teorias. Pode parecer trabalhoso ou estranho,
mas é preciso. Isso, porque, o autor utilizou o recurso da
prestidigitação em algum momento. E como isso ocorre? Mais simples
do que parece, o escritor é o mágico no palco, e ao longo de sua
narrativa ele nos chama a atenção e para sua mão esquerda, para no
distrair, enquanto opera o truque de verdade com sua mão direita nos
surpreendendo no fim do número. Dois ótimos contos que nos ilustra
bem o fato são: “Singularidades de uma rapariga loura” de Eça
de Queirós, e “Morta” de Maupassant,
que trazem uma grande reviravolta em seu desfecho, e que, quando
relidos vemos as pistas antes ignoradas para formar o texto real, que
estava na parte mais abaixo da obra lida pela primeira vez.
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